sábado, 8 de novembro de 2008
O Dilúvio Global
Está escrito na Bíblia que, nos tempos de Noé, choveu durante 40 dias e 40 noites, de maneira que todo o planeta foi coberto pelas águas, até mesmo os montes mais altos. Mas será que essa inundação global aconteceu de verdade?
Adão, Eva e o "Pecado Original"
Começo com a lenda de Adão e Eva, a qual pretende explicar como surgiram os seres humanos neste planeta e por que eles adoecem, sofrem e morrem. Irei questionar essa narrativa para averiguar se ela é verdadeira, se tem fundamento sólido ou não.
A história é bem conhecida, portanto, apenas resumo rapidamente: Deus, o deus da Bíblia, do antigo testamento, conhecido pelo nome de Jeová, teria criado primeiramente Adão e depois Eva, colocando ambos no Jardim do Éden; em seguida Eva e seu companheiro Adão teriam desobedecido a Deus e, como consequência, teriam sido punidos com a expulsão do Paraíso, mais as dores, as doenças, o trabalho e a morte. A desobediência de Adão e Eva é a base da idéia de "pecado original", ou seja, a afirmação de que todos os seres humanos adoecem, sentem dor, sofrem, precisam trabalhar duro e morrem porque os primeiros seres humanos, Adão e Eva, desobedeceram a Deus ao comer o fruto da árvore da ciência do bem e do mal.
Muito bem, vejamos a coisa desde o começo: Deus resolveu criar Adão. Supondo, para efeitos de debate, que a narrativa bíblica seja verdadeira e Jeová realmente tenha sido o criador de Adão, mesmo assim resta um fato inegável: Adão não pediu para ser criado por Deus antes de ser criado; evidentemente antes de existir Adão nem teria como pedir qualquer coisa nem a Deus nem a ninguém, já que ele ainda não existia. Portanto, a criação de Adão por Deus, caso de fato tenha um dia acontecido, foi uma decisão de exclusiva iniciativa e responsabilidade de Deus, mas não do próprio Adão.
Um outro aspecto a ser considerado aqui é a natureza de Adão como criação de Deus. Ora, se Deus, o deus que criou Adão, é perfeito, então segue-se que todas as suas obras também são; assim, Adão era um ser perfeito porque foi criado por Deus, já que Deus não cria obras imperfeitas, caso contrário não seria um deus de verdade (considerando que a perfeição é uma das características que definem um ser como deus).
Após criar Adão, estando este se sentindo sozinho no Paraíso, Deus teria criado a primeira mulher, Eva. Em seguida, Deus teria colocado no Jardim do Éden, duas árvores diferentes das demais, a Árvore da Vida e a Árvore da Ciência do Bem e do Mal. Adão e Eva foram proibidos de comer frutos da Árvore da Ciência do Bem e do Mal; caso desobedecessem, certamente morreriam, ameaçou Deus.
Hmm, então nem Adão nem sua companheira Eva conheciam o que era o Bem nem o que era o Mal? Antes de comer o fruto proibido não, eles não sabiam o que era bem ou mal. Ou assim diz a narrativa bíblica. Ora, se Adão e Eva não tinham ainda conhecimento do Bem e do Mal, como poderiam eles julgar qualquer coisa? Como saber se o que Deus dizia era certo e bom ou errado e ruim? Não tendo ainda conhecimento do Bem e do Mal, evidentemente Adão e Eva não tinham como pensar em termos de juízo moral ou ético. Todo pensamento moral e ético pressupõe as noções de Bem e Mal, de certo e errado. Não tendo essas noções antes de comer o tal fruto proibido, Adão e Eva eram quase como crianças, aliás, mais precisamente como robôs, que agem sem saber o que estão fazendo! É praticamente quase impossível imaginar um pensamento limitado como o deles, uma vez que nós já possuímos as noções de Bem e Mal bem desenvolvidas em nossa mente.
O primeiro problema é Deus ter criado Adão e Eva sem noções de Bem e Mal e em seguida ter colocado os dois diante de uma decisão que exigia essas noções. Mas a coisa piora ainda mais, já que Deus teria deixado uma incerta serpente, provavelmente uma encarnação física de Satanás, entrar no Jardim do Éden, onde tentaria os dois seres humanos. Que culpa tinham eles de essa serpente existir e ser malignamente astuta? Que chance eles, ingênuos e inocentes como eram, tinham contra a serpente, que era uma encarnação do ser que conseguira convencer um terço dos próprios anjos de Deus a aderirem à sua rebelião? Quando essa serpente disse a Eva que ela deveria comer, sim, o fruto proibido, como a pobre mulher poderia ter pensado que a serpente estava dizendo algo errado? Eva ainda não tinha conhecimento do Mal, não podia nem sequer imaginar que algum ser pudesse dizer algo que não fosse verdade. Eva era incapaz de conceber a idéia de uma mentira, porque para isso ela precisava ser capaz de pensar em termos de bem e mal, o que ela ainda não podia fazer. Portanto, Eva inocente e ingenuamente acreditou na serpente, e comeu o fruto proibido e depois ainda ofereceu ao seu companheiro Adão, que, sendo também totalmente ingênuo, igualmente comeu. Para a serpente, enganar aqueles dois foi mais fácil que tomar o doce de uma criança, foi uma covardia!
O resto é bem conhecido: Adão e Eva seriam punidos pela desobediência, seriam expulsos do Éden, tornar-se-iam mortais e sujeitos à dor e às doenças, bem como teriam de trabalhar com grandes dificuldades para sobreviver. Para muitos isso parece totalmente justo: eles desobedeceram a Deus e pagaram o devido preço da desobediência. No entanto, eu questiono se esse castigo foi realmente justo. Como argumentei antes, Adão e Eva não tinham como julgar e decidir responsavelmente quanto à conveniência ou inconveniência de comer ou não o fruto que Deus proibira, pois ele não tinham em seus pensamentos as noções de Bem e Mal. E mesmo que até tivessem, o que tornaria difícil entender que efeito adicional o tal fruto teria então sobre eles, mesmo que eles já soubessem o que era bom ou ruim antes de comer aquele fruto, ainda assim os dois não tinham pedido para serem criados e, portanto, não tiveram qualquer participação na decisão que resultara em suas existências e, por isso, não tinham responsabilidade quanto às consequências dessa decisão. Além disso, considerando a desobediência a Deus como algo muito ruim, como sinal de imperfeição, tanto que, segundo a narrativa, Adão e Eva foram gravemente punidos por tal pecado, como se explica essa imperfeição neles se foram criados por um deus perfeito? Não era de se esperar que eles fossem (e se mantivessem sempre) perfeitos também?
Outra coisa: se Deus já sabia que Adão e Eva iriam desobedecê-lo, uma vez que ele sabe de tudo, por que mesmo assim ele colocou a famigerada Árvore da Ciência do Bem e do Mal ali no Éden ao alcance deles? E por que ele permitiu que a maldita serpente enganadora entrasse no Paraíso e tivesse oportunidade de atentar Eva? Deus estava testando Adão e Eva para ver o que eles fariam? Por que ele faria isso, se já sabia muito bem qual seria a escolha deles? É tolice fazer teste de algo que já sabemos o resultado...
Esses são apenas alguns dos questionamentos que, a meu ver, invalidam a veracidade da lenda de Adão e Eva, os quais, não tendo ainda as noções de Bem e Mal, não tinham como decidir livre e responsavelmente quanto a obedecer Deus e repudiar a serpente. Como eles poderiam saber que o que a serpente dizia era errado, se eles ainda nem sequer tinham como imaginar a idéia de "errado"? Como eles, não sabendo do Bem nem do Mal, podiam julgar que a serpente era má e enganadora? Eles simplesmente não podiam. Portanto, não tiveram culpa alguma ao acreditar nas palavras da serpente; e sem ter culpa não poderiam ter sido punidos: o "pecado original" não tem fundamento, já que seria injusto da parte de Deus punir dois seres que não tinham como julgar e decidir responsavelmente. Mas um deus bom e perfeito não pode ser injusto. A lenda de Adão e Eva é blásfema ao atribuir a Deus uma injustiça desse tipo! Deus não comete injustiças; portanto, a lenda de Adão e Eva é fundamentalmente falsa. Eles nunca exisitiram de verdade, e aliás nem poderiam ter existido, a não ser como robôs absolutamente estúpidos. Logo, isso é tudo apenas uma invenção humana.
A história é bem conhecida, portanto, apenas resumo rapidamente: Deus, o deus da Bíblia, do antigo testamento, conhecido pelo nome de Jeová, teria criado primeiramente Adão e depois Eva, colocando ambos no Jardim do Éden; em seguida Eva e seu companheiro Adão teriam desobedecido a Deus e, como consequência, teriam sido punidos com a expulsão do Paraíso, mais as dores, as doenças, o trabalho e a morte. A desobediência de Adão e Eva é a base da idéia de "pecado original", ou seja, a afirmação de que todos os seres humanos adoecem, sentem dor, sofrem, precisam trabalhar duro e morrem porque os primeiros seres humanos, Adão e Eva, desobedeceram a Deus ao comer o fruto da árvore da ciência do bem e do mal.
Muito bem, vejamos a coisa desde o começo: Deus resolveu criar Adão. Supondo, para efeitos de debate, que a narrativa bíblica seja verdadeira e Jeová realmente tenha sido o criador de Adão, mesmo assim resta um fato inegável: Adão não pediu para ser criado por Deus antes de ser criado; evidentemente antes de existir Adão nem teria como pedir qualquer coisa nem a Deus nem a ninguém, já que ele ainda não existia. Portanto, a criação de Adão por Deus, caso de fato tenha um dia acontecido, foi uma decisão de exclusiva iniciativa e responsabilidade de Deus, mas não do próprio Adão.
Um outro aspecto a ser considerado aqui é a natureza de Adão como criação de Deus. Ora, se Deus, o deus que criou Adão, é perfeito, então segue-se que todas as suas obras também são; assim, Adão era um ser perfeito porque foi criado por Deus, já que Deus não cria obras imperfeitas, caso contrário não seria um deus de verdade (considerando que a perfeição é uma das características que definem um ser como deus).
Após criar Adão, estando este se sentindo sozinho no Paraíso, Deus teria criado a primeira mulher, Eva. Em seguida, Deus teria colocado no Jardim do Éden, duas árvores diferentes das demais, a Árvore da Vida e a Árvore da Ciência do Bem e do Mal. Adão e Eva foram proibidos de comer frutos da Árvore da Ciência do Bem e do Mal; caso desobedecessem, certamente morreriam, ameaçou Deus.
Hmm, então nem Adão nem sua companheira Eva conheciam o que era o Bem nem o que era o Mal? Antes de comer o fruto proibido não, eles não sabiam o que era bem ou mal. Ou assim diz a narrativa bíblica. Ora, se Adão e Eva não tinham ainda conhecimento do Bem e do Mal, como poderiam eles julgar qualquer coisa? Como saber se o que Deus dizia era certo e bom ou errado e ruim? Não tendo ainda conhecimento do Bem e do Mal, evidentemente Adão e Eva não tinham como pensar em termos de juízo moral ou ético. Todo pensamento moral e ético pressupõe as noções de Bem e Mal, de certo e errado. Não tendo essas noções antes de comer o tal fruto proibido, Adão e Eva eram quase como crianças, aliás, mais precisamente como robôs, que agem sem saber o que estão fazendo! É praticamente quase impossível imaginar um pensamento limitado como o deles, uma vez que nós já possuímos as noções de Bem e Mal bem desenvolvidas em nossa mente.
O primeiro problema é Deus ter criado Adão e Eva sem noções de Bem e Mal e em seguida ter colocado os dois diante de uma decisão que exigia essas noções. Mas a coisa piora ainda mais, já que Deus teria deixado uma incerta serpente, provavelmente uma encarnação física de Satanás, entrar no Jardim do Éden, onde tentaria os dois seres humanos. Que culpa tinham eles de essa serpente existir e ser malignamente astuta? Que chance eles, ingênuos e inocentes como eram, tinham contra a serpente, que era uma encarnação do ser que conseguira convencer um terço dos próprios anjos de Deus a aderirem à sua rebelião? Quando essa serpente disse a Eva que ela deveria comer, sim, o fruto proibido, como a pobre mulher poderia ter pensado que a serpente estava dizendo algo errado? Eva ainda não tinha conhecimento do Mal, não podia nem sequer imaginar que algum ser pudesse dizer algo que não fosse verdade. Eva era incapaz de conceber a idéia de uma mentira, porque para isso ela precisava ser capaz de pensar em termos de bem e mal, o que ela ainda não podia fazer. Portanto, Eva inocente e ingenuamente acreditou na serpente, e comeu o fruto proibido e depois ainda ofereceu ao seu companheiro Adão, que, sendo também totalmente ingênuo, igualmente comeu. Para a serpente, enganar aqueles dois foi mais fácil que tomar o doce de uma criança, foi uma covardia!
O resto é bem conhecido: Adão e Eva seriam punidos pela desobediência, seriam expulsos do Éden, tornar-se-iam mortais e sujeitos à dor e às doenças, bem como teriam de trabalhar com grandes dificuldades para sobreviver. Para muitos isso parece totalmente justo: eles desobedeceram a Deus e pagaram o devido preço da desobediência. No entanto, eu questiono se esse castigo foi realmente justo. Como argumentei antes, Adão e Eva não tinham como julgar e decidir responsavelmente quanto à conveniência ou inconveniência de comer ou não o fruto que Deus proibira, pois ele não tinham em seus pensamentos as noções de Bem e Mal. E mesmo que até tivessem, o que tornaria difícil entender que efeito adicional o tal fruto teria então sobre eles, mesmo que eles já soubessem o que era bom ou ruim antes de comer aquele fruto, ainda assim os dois não tinham pedido para serem criados e, portanto, não tiveram qualquer participação na decisão que resultara em suas existências e, por isso, não tinham responsabilidade quanto às consequências dessa decisão. Além disso, considerando a desobediência a Deus como algo muito ruim, como sinal de imperfeição, tanto que, segundo a narrativa, Adão e Eva foram gravemente punidos por tal pecado, como se explica essa imperfeição neles se foram criados por um deus perfeito? Não era de se esperar que eles fossem (e se mantivessem sempre) perfeitos também?
Outra coisa: se Deus já sabia que Adão e Eva iriam desobedecê-lo, uma vez que ele sabe de tudo, por que mesmo assim ele colocou a famigerada Árvore da Ciência do Bem e do Mal ali no Éden ao alcance deles? E por que ele permitiu que a maldita serpente enganadora entrasse no Paraíso e tivesse oportunidade de atentar Eva? Deus estava testando Adão e Eva para ver o que eles fariam? Por que ele faria isso, se já sabia muito bem qual seria a escolha deles? É tolice fazer teste de algo que já sabemos o resultado...
Esses são apenas alguns dos questionamentos que, a meu ver, invalidam a veracidade da lenda de Adão e Eva, os quais, não tendo ainda as noções de Bem e Mal, não tinham como decidir livre e responsavelmente quanto a obedecer Deus e repudiar a serpente. Como eles poderiam saber que o que a serpente dizia era errado, se eles ainda nem sequer tinham como imaginar a idéia de "errado"? Como eles, não sabendo do Bem nem do Mal, podiam julgar que a serpente era má e enganadora? Eles simplesmente não podiam. Portanto, não tiveram culpa alguma ao acreditar nas palavras da serpente; e sem ter culpa não poderiam ter sido punidos: o "pecado original" não tem fundamento, já que seria injusto da parte de Deus punir dois seres que não tinham como julgar e decidir responsavelmente. Mas um deus bom e perfeito não pode ser injusto. A lenda de Adão e Eva é blásfema ao atribuir a Deus uma injustiça desse tipo! Deus não comete injustiças; portanto, a lenda de Adão e Eva é fundamentalmente falsa. Eles nunca exisitiram de verdade, e aliás nem poderiam ter existido, a não ser como robôs absolutamente estúpidos. Logo, isso é tudo apenas uma invenção humana.
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